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Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia e dormir em caminhão no PR passou quase um ano em situação análoga à escravidão antes de ser resgatado
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida
O idoso de 69 anos de idade que era obrigado a trabalhar 24 horas por...
03/06/2026 08:23
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia e dormir em caminhão no PR passou quase um ano em situação análoga à escravidão antes de ser resgatado (Foto: Reprodução)
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida
O idoso de 69 anos de idade que era obrigado a trabalhar 24 horas por dia passou quase um ano em situação análoga à escravidão antes de ser resgatado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. As informações são da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e da Polícia Federal (PF), responsáveis pelo flagrante.
Segundo os órgãos, o homem é natural de Tibagi e morava em Ponta Grossa há alguns anos, mas vivia na empresa "em um cenário extremo de degradação" desde junho de 2025.
No dia 27 de maio de 2026 (quarta-feira), ele foi resgatado do local e encaminhado a um abrigo, após receber atendimento médico e de assistência social. No entanto, optou por ficar em um hotal custeado pelo empregador até o dia 1º de junho (segunda-feira) e depois se mudou para Curitiba. Saiba mais abaixo.
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As investigações apontam que o idoso atuava como vigilante em uma empresa de venda e locações de carros e máquinas e não tinha nenhum direito à folga - nem para dormir sem a preocupação de ter a responsabilidade da segurança da empresa, que não teve o nome divulgado.
Ainda de acordo com as autoridades, o homem recebia R$ 400 por semana, não tinha contrato de trabalho e nem carteira assinada.
Sem quarto ou cama, ele improvisou um dormitório na cabine de um caminhão, não tinha água encanada disponível e tinha que sair correndo para comprar alimentos em um mercado próximo, já que tinha a responsabilidade de manter vigilância total na empresa. Veja detalhes mais abaixo.
"O trabalhador era submetido a um cenário extremo de degradação humana, enfrentando falta de alimentação adequada, ausência de água potável, condições precárias de higiene e jornadas exaustivas sem descanso semanal remunerado. Um cenário chocante de abandono", afirma a PF.
Os auditores-fiscais do trabalho afirmaram que, apesar de não terem sido constatados indícios de restrição física de liberdade ou violência direta, eles verificaram "um contexto de intensa vulnerabilidade social e exploração laboral incompatível com a dignidade humana e com os direitos mínimos assegurados pela legislação trabalhista brasileira".
Agora, a empresa e os responsáveis por ela serão investigados e, segundo a PF, deverão responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no Código Penal Brasileiro. A pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa e outras sanções trabalhistas.
"O Ministério do Trabalho informou que dará sequência aos procedimentos administrativos para garantir o pagamento das verbas trabalhistas devidas ao idoso, além do encaminhamento dele para atendimento social e acompanhamento especializado. A Polícia Federal seguirá investigando o caso para apurar possíveis outras irregularidades e identificar todos os envolvidos na exploração", diz a PF.
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'Condições degradantes'
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Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
A Polícia Federal afirma que o idoso estava vivendo em um ambiente considerado insalubre e incompatível com qualquer condição digna de trabalho e sobrevivência.
"As equipes constataram a ausência de estrutura básica, além de sinais claros de exploração contínua. Conforme o relatório preliminar, o trabalhador realizava atividades diárias sem acesso adequado à alimentação, descanso ou assistência mínima".
Entre os problemas apontados, estão a jornada de trabalho considerada exaustiva e as condições do local que era disponibilizado ao idoso. Veja, abaixo, alguns detalhes revelados pelos auditores-fiscais do trabalho:
o trabalhador permanecia permanentemente à disposição para vigilância do local, sem delimitação clara de jornada ou períodos adequados de descanso;
devido à falta de tempo delimitada ao descanso, ele saía muito rápido do posto de trabalho para ir comprar algum alimento em um mercado próximo, e sempre ia correndo;
o idoso dormia na cabine de um caminhão (que está à venda na empresa) em condições precárias, bastante suja e com apenas algumas cobertas finas, mesmo diante das baixas temperaturas registradas durante as madrugadas na região;
o acesso à cabine era extremamente difícil para sua condição física; o caminhão possuía escada elevada para acesso à cabine e a vítima apresentava limitações de locomoção e dificuldade para caminhar em razão da idade e de diversas comorbidades;
embora houvesse um banheiro instalado na propriedade, não existia fornecimento de água encanada ou potável no local. Para conseguir água, o trabalhador precisava caminhar por estrada de terra até uma empresa vizinha, localizada a cerca de 100 metros do imóvel, carregando galões manualmente;
ele tomava banho na empresa vizinha, esporadicamente e por solidariedade dos vizinhos.
ele não tinha espaço e condições para organizar as os próprios pertences e possuía uma cozinha bastante precária, com apenas um fogão de duas bocas.
"O trabalhador era submetido a um cenário extremo de degradação humana, enfrentando falta de alimentação adequada, ausência de água potável, condições precárias de higiene e jornadas exaustivas sem descanso semanal remunerado", reforçam os auditores.
Idoso obrigado a trabalhar 24h por dia, dormir em caminhão e correr para conseguir comida é resgatado no PR
Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
Idoso se mudou para Curitiba
Ao g1, a Prefeitura de Ponta Grossa explicou que, após ser acionada, a equipe de assistência social do Município realizou atendimento ao idoso, prestando orientações sobre seus direitos e sobre as condições verificadas, que caracterizam situação de vulnerabilidade, risco social e violação de direitos.
Durante o atendimento, foram apresentadas ao idoso alternativas de proteção e acolhimento — incluindo encaminhamento para Casa de Acolhida, Albergue e Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) —, mas ele recusou as opções, exercendo seu direito de autodeterminação e livre escolha, o que foi devidamente registrado em declaração.
"Conforme informações repassadas pela equipe do Ministério do Trabalho, o empregador custeou hospedagem em hotel até o dia 1º de junho de 2026, período destinado à quitação dos valores devidos pela rescisão contratual. Após essa data, o próprio idoso manifestou a intenção de se deslocar para Curitiba, relatando a possibilidade de permanecer naquela localidade".
Como denunciar
A situação do idoso foi descoberta após o recebimento de denúncias.
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
Acesse neste link
A ferramenta foi desenvolvida em parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Inspeção do Trabalho brasileira e integra as ações permanentes da Auditoria-Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
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